Escrito por Dr.ª Clarisse Bezerra

O tratamento da infecção pelo coronavírus:

(COVID-19) varia de acordo com a intensidade dos sintomas. Nos casos mais leves, em que existe apenas febre acima de 38ºC, tosse intensa, perda do olfato e do paladar ou dor muscular, o tratamento pode ser feito em casa com repouso e uso de alguns medicamentos para aliviar os sintomas.

Já nos casos mais graves, em que existe dificuldade para respirar, sensação de falta de ar e dor no peito, o tratamento precisa ser feito em internamento no hospital, já que é necessário fazer uma avaliação mais constante, além de puder ser necessário administrar medicamentos diretamente na veia e/ou utilizar respiradores para facilitar a respiração.

Em média, o tempo que a pessoa demora até ser considerada curada é de 14 dias até 6 semanas, variando de um caso para o outro. Entenda melhor quando acontece a cura da COVID-19 e esclareça outras dúvidas comuns.

Tratamento nos casos mais leves:

Nos casos mais leves de COVID-19, o tratamento pode ser feito em casa após a avaliação médica. Normalmente o tratamento inclui ficar de repouso para ajudar o corpo a recuperar, mas também pode incluir o uso de alguns medicamentos prescritos pelo médico, como antipiréticos, analgésicos ou anti-inflamatórios, que ajudam a diminuir a febre, a dor de cabeça e o mal estar geral. Veja mais sobre os remédios utilizados para o coronavírus.

A Anvisa também aprovou o uso emergencial do segundo remédio para o tratamento da COVID-19, o Regn-CoV2, que pode ser usado nos casos leves a moderados que não necessitam de fazer suplementação com oxigênio. Esse medicamento é capaz de evitar a entrada do coronavírus nas células saudáveis, o que facilita o trabalho do sistema imunológico e facilita a recuperação. Saiba mais sobre o Regn-CoV2 e quando pode ser usado.

Além disso, é importante manter boa hidratação, bebendo pelo menos 2 litros de água por dia, já que a ingestão de líquidos permite evitar uma possível desidratação, além de otimizar o funcionamento do sistema imunológico.

Fazer uma alimentação saudável, investindo na ingestão de alimentos ricos em proteína, como carne, peixe, ovos ou lacticínios, assim como em frutas, legumes, cereais e tubérculos também é recomendado, pois ajuda a manter o corpo saudável e o sistema imune mais fortalecido. Em caso de tosse devem ser evitados alimentos muito quentes ou gelados.

Cuidados durante o tratamento:

Além do tratamento, durante a infecção COVID-19 é importante ter alguns cuidados para não transmitir o vírus para outras pessoas, como:

Utilizar máscara bem ajustada ao rosto de modo a tapar o nariz e a boca e impedir que as gotículas de tosse ou espirros possam ser projetadas para o ar;
Manter o distanciamento social, uma vez que este permite diminuir o contato entre as pessoas. É importante evitar abraços, beijos e outros cumprimentos próximos. O ideal é que a pessoa infectada fique em isolamento no quarto ou em outro cômodo da casa.
Cobrir a boca ao tossir ou espirrar, utilizando um lenço descartável, que depois deverá ser jogado no lixo, ou a parte interna do cotovelo;
Evitar tocar no rosto ou na máscara com as mãos, e no caso de tocar é recomendado lavar as mãos logo a seguir;
Lavar as mãos com água e sabão regularmente durante, pelo menos, 20 segundos ou fazer a desinfecção das mãos com álcool gel 70% durante 20 segundos;
Desinfectar o celular com frequência, utilizando toalhetes com 70% álcool ou com um pano de microfibra umedecido em álcool 70%;
Evitar a partilha de objetos como talheres, copos, toalhas, lençóis, sabonetes ou outros objetos de higiene pessoal;
Limpar e arejar os cômodos da casa para permitir a circulação de ar;
Desinfectar as maçanetas das portas e todos os objetos compartilhados com outras pessoas, como por exemplo móveis, utilizando álcool 70% ou uma mistura de água com água sanitária;
Limpar e desinfectar o banheiro após ser utilizado, especialmente se for utilizado por outras pessoas. Se for necessário cozinhar, é recomendada a utilização da máscara de proteção
Colocar todo o lixo produzido numa sacola de plástico diferente, de forma a que sejam tomados os devidos cuidados quando for descartado.
Além disso, também é aconselhado lavar toda a roupa usada, pelo menos a 60º durante 30 minutos, ou entre 80-90ºC, durante 10 minutos. Caso não seja possível a lavagem a temperaturas altas, é recomendado o uso de um produto desinfetante próprio para roupa.

Veja mais cuidados para evitar a transmissão da COVID-19 em casa e no trabalho.

Tratamento nos casos mais graves
Em casos mais graves de COVID-19, em que se desenvolve uma pneumonia ou outras complicações sérias, é importante que o tratamento seja feito em internamento no hospital, para que a pessoa possa receber oxigênio, fazer medicação diretamente na veia e manter os sinais vitais avaliados com regularidade.

Para estes casos, a ANVISA também aprovou o uso do primeiro medicamento contra a COVID-19, o Remdesivir, um medicamento antiviral que é capaz de ajudar o corpo a eliminar o vírus mais rápido, facilitando a cura e que deve ser administrado apenas no hospital através de uma injeção.

No caso de existir muita dificuldade para respirar ou caso a respiração comece a falhar, é possível que a pessoa seja transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para que possam ser utilizados equipamentos específicos, como o respirador, e para que a pessoa possa ficar sob vigilância mais apertada.

O que fazer se os sintomas persistirem após o tratamento:

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, pessoas que apresentam sintomas, como cansaço, tosse e sensação de falta de ar, mesmo depois de terem realizado o tratamento e serem consideradas curadas, devem fazer um monitoramento regular dos níveis de oxigênio em casa, utilizando um oxímetro de pulso. Esses valores devem ser relatados ao médico responsável por acompanhar o caso. Veja como usar o oxímetro para monitorar os níveis de oxigênio em casa.

Algumas pessoas podem também persistir com dores no corpo, dor de cabeça e alterações no olfato e paladar após os 14 dias de doença e serem consideradas curadas, devendo ser acompanhadas por um clínico geral ou neurologista, que fará uma avaliação desses sintomas e indicar um tratamento especifico para cada um deles, se necessário, e no caso de não melhorem após 2 semanas do fim da doença.

Já os pacientes que continuam internados, mesmo depois de serem considerados curados, a OMS recomenda o uso de uma dose baixa de anticoagulantes para evitar o aparecimento de coágulos, que possam causar trombose em alguns vasos sanguíneos.

Quando ir ao hospital:

Nos casos de infecção leve, é recomendado voltar ao hospital se os sintomas piorarem, em caso de dor no peito, falta de ar ou se a febre ficar acima de 38ºC por mais de 48 horas, ou se não diminuir com o uso dos medicamentos indicados pelo médico.

Fonte:

 
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá.
Registro CRM-CE nº 16976.

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